Profissionais da Upa (Serra-ES) contam como ficaram suas vidas depois da chegada da pandemia.

July 15, 2020

                                                                                                                         Imagem ilustrativa                                                                                                     

Associação Mahatma Gandhi mostra depoimentos de colaboradores da Upa de Carapina.

 

 

O sentimento de enfrentar a pandemia

 

O sentimento de insegurança passou a fazer parte da vida do Médico Dr. Rafael Batista Cardoso, de 27 anos, desde que a pandemia do novo coronavírus atingiu o Brasil e levou milhares de pessoas a procurarem os estabelecimentos de saúde. Hoje, mesmo estando paramentado com os EPIs necessários, Dr. Rafael relata que a apreensão não deixa de estar presente durante seus plantões. 

Nunca imaginei que eu pudesse viver essa situação durante minha caminhada na medicina. Um cenário totalmente inesperado e adverso, ninguém estava preparado para o que está acontecendo”, disse o médico, que atua na Upa de Carapina (Serra-ES), gerida pela Associação Mahatma Gandhi. 

Dr. Rafael também descreve a sensação de impotência quando, tomando todas as medidas cabíveis para preservar a vida de um paciente ele vem a óbito. “Nós fizemos um juramento. Lutamos para salvar vidas e quando não conseguimos... ficamos sim, emocionalmente abalados. Mas, mesmo assim, precisamos demonstrar força e segurança.” 

É justamente a força e a coragem que guiam os profissionais de saúde para lidar, diariamente, com pacientes diagnosticados ou suspeitos de estarem com coronavírus.

Dr. Rafael Batista Cardoso - Médico

 

Distante de quem ama 

 

Desde o início da pandemia do coronavírus a Técnica de Enfermagem Stefania Marques Lopes não tem contato próximo com o único filho, de 24 anos, que tem baixa imunidade. A profissional se emociona ao falar do assunto durante a entrevista. “Eu preferi isolar meu filho na casa de cima para segurança dele, já que atuo em uma Upa e estou mais exposta ao vírus. Eu não tenho contato com ele, só o vejo pela janela. Dói bastante, mas preciso lutar pelos meus pacientes”.

Atuando na Enfermagem há mais de 18 anos, Stefania, que trabalha na emergência adulta da Upa de Carapina, é firme ao dizer que atua por amor e doação ao outro. “Quando estou no trabalho eu incorporo uma mulher mais corajosa e dou o meu máximo pelos meus pacientes.” 

A técnica relata que nunca viveu nada parecido. “Ainda não conhecemos essa doença direito por isso todos nós ficamos apreensivos. Saio de casa e não sei o que me espera em mais um dia de trabalho, mas sigo meu caminho com fé e responsabilidade, sempre tomando todos os cuidados”, completou Stefania. 

 Stefania Marques Lopes - Técnica de Enfermagem

 

 

A Enfermeira Vera Lucia Alvarenga de Ávila, de 42 anos, atua com os mesmos cuidados, mas mesmo assim acabou sendo acometida pelo Covid-19 e ficou 14 dias afastada. Agora já está de volta ao trabalho. 

Ela conta que em nenhum momento pensou em abandonar a profissão porque atua com amor. Mas é muito difícil não sentir insegurança porque até agora não existe confirmação precisa se uma pessoa pode ser infectada novamente pelo vírus em curto ou longo tempo. 

A sensação é de que saio de casa para mais uma batalha. O atendimento em uma Upa é intenso, porque tratamos urgência e emergência, mas desde que surgiu a Covid-19 ficamos mais temerosos”, afirmou. 

Vera, assim como tantos colegas, teme ainda mais pela saúde de sua família. Os profissionais de saúde, como qualquer outra pessoa, representam muitas vidas. São filhos, pais, mães, avós, tios e assim por diante. 

O filho de Vera de 22 anos está no 4º período de medicina e ela diz que mesmo tendo medo pela profissão do filho incentiva sua escolha, porque entende que ele também quer lutar por vidas e se doar. 

Estamos nesse mundo para ajudar o outro e não somos nada sozinhos. Quando tudo isso passar, pois vai passar, vamos matar a saudade do abraço, do aperto de mão de quem nem conhecemos direito, do calor humano”, completa ela, com os olhos marejados de emoção que os EPIs não conseguiram esconder. 

Um ponto, todos têm em comum: a certeza de que sairão mais fortes depois de tudo isso e com certeza serão pessoas melhores.

A Associação Mahatma Gandhi compreende o temor dos seus colaboradores que estão na linha de frente no combate ao coronavirus, uma vez que enfrentamos um inimigo invisível aos nossos olhos. O Gerente da Unidade de Serra, Leandro de Oliveira Ferreira, afirma que o esforço de todos e a união fazem toda a diferença. 

Sabemos como é difícil atuar em meio a uma pandemia e vemos o quanto nossos colaboradores têm amor por suas profissões, atendendo os pacientes sempre com muita responsabilidade e comprometimento. A administração aproveita esse momento para agradecer a todos e dizer que estamos de portas abertas e unidos para vencermos os obstáculos juntos”, afirmou Leandro.

 Vera Lucia Alvarenga de Ávila - Enfermeira

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