Complexo Maricá-RJ: médicos falam sobre diferentes desafios na profissão


Na semana que foi comemorado o dia do médico, profissionais das unidades geridas pela Associação Mahatma Gandhi, em Maricá, expressaram sua opinião/experiência sobre temas distintos relacionados à medicina. Dentre os temas estão: saúde da mulher e câncer de mama, os desafios da medicina na pandemia da Covid-19, evolução tecnológica e atendimento humanizado, e desafios do atendimento fora do ambiente hospitalar.

Foram ouvidos os médicos: Cláudia Rogéria de Lima, representando o Hospital Municipal Conde Modesto Leal; Gleiton Dias da Cunha, representando a UPA de Inoã; Mariana da Silva Sobreiro, representando o Posto de Saúde 24H Santa Rita; e Paula Figueiredo, representando a SAMU de Maricá.

Cláudia Rogéria de Lima - Hospital Municipal Conde Modesto Leal

Ginecologista, obstetra, especializada em patologia cervical. Médica do Hospital Municipal Conde Modesto Leal desde 1994. Atualmente, coordenadora do serviço de ginecologia e obstetrícia.

Saúde da mulher e câncer de mama:

O ginecologista, como médico generalista da mulher, se vê cada vez mais empenhado em avaliar a paciente como um todo. Muitas vezes é o único médico que ela procura durante o ano. Segundo o INCA, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres excetuando o câncer de pele não melanoma. Mas o câncer de cólon e reto, o câncer de colo de útero e o da tireóide também estão entre os cinco mais frequentes nas mulheres. Com foco na valorização da vida, cabe aos profissionais de saúde, da mídia e da sociedade, ampliarem o leque do “outubro rosa”, chamando a atenção para essa abordagem. Prevenção é a palavra de ordem.

Visitas regulares ao ginecologista, realização de exames preventivos como o papanicolau, a mamografia que, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, devem ser anuais após os 40 anos e segundo o Ministério da Saúde, após os 50 anos e de dois em dois anos. Exame clínico e de imagem da tireoide, principalmente se houver história familiar, assim como a colonoscopia após os 50 anos.

Hábitos de vida mais saudáveis através de alimentação balanceada e atividade física, redução do consumo de álcool e tabagismo, combate à obesidade, estimular a amamentação são algumas das atitudes para minimizar os fatores de risco. Conhecer as mamas para identificar eventuais sinais, como inversão do mamilo, mudança da característica da pele da mama, assimetria das mamas, saída de secreções, presença de nódulos nas mamas ou axilas. Nesses casos procurar o seu médico. Vacinação das meninas e meninos contra o HPV que é o causador do câncer de colo de útero (vagina, vulva e pênis também). Em um momento em que procuramos desesperadamente a vacina contra o coronavírus, precisamos e devemos valorizar as vacinas que já temos.

Todo o câncer tem grande chance de cura, precisamos, para isso, buscar o diagnóstico e tratamento precoces. Conhecimento e informação são, sem dúvidas, os primeiros e principais passos.”

Gleiton Dias da Cunha - UPA de Inoã

Clínico geral e intensivista formado pela Uff em 2012, trabalha em Maricá desde novembro do mesmo ano. Além da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Inoã , atua no SAMU e no Hospital Municipal Conde Modesto Leal.

Os desafios da medicina na pandemia da Covid-19:

A Covid-19 iniciou uma guerra mundo afora e como tantas já sofridas, o pós-guerra nos trará derrotas, ensinamentos, conquistas, progresso, tristeza, perdas, ganhos, entre outros inúmeros sentimentos!

No início, meu sentimento era de apreensão e medo. Medo esse da morte, de não conseguir tratar meus pacientes, de poder contaminar meus entes queridos, medo de não ser forte o suficiente pra enfrentar essa guerra. Muitos eram nossos desafios, o mundo não estava preparado para essa pandemia, precisávamos de tempo para nos organizar. Ainda não conhecemos bem essa doença, não temos um tratamento 100% eficaz, aguardamos a tão esperada vacina para tentarmos voltar a nossa vida normal. Esses são grandes obstáculos que temos que superar.

A cada dia temos uma nova batalha a vencer. Não podemos diminuir nossos cuidados, não podemos achar que já acabou, não podemos deixar que a morte de tantas pessoas sejam apenas estatísticas. Temos a obrigação de continuar lutando, de diminuir cada vez mais a curva de casos. Como médicos é nossa obrigação conscientizar a população, e oferecer o melhor tratamento possível. AINDA NÃO ACABOU!

Mariana da Silva Sobreiro - Posto de Saúde 24H Santa Rita

Formada pela Estácio de Sá em 2016, trabalha em Maricá desde março de 2020 atuando como médica na urgência e emergência do Pronto Atendimento de Santa Rita e UPA de Inoã.

Evolução tecnológica e atendimento humanizado:

A medicina avançou muito nos últimos anos e com a tecnologia de hoje conseguimos resolver afecções que há décadas não era possível. Posso citar alguns avanços como: de rastreamento microbiológico de fontes de contaminação humana e animal, operação por robôs, ECMO , tão usando agora durante a pandemia, que é uma técnica que efetua a circulação de sangue permitindo a circulação sanguínea, através de bombas, onde o sangue sofre oxigenação artificial de forma direta. Contudo ainda são evoluções que não prolongam a expectativa de vida humana. Ninguém ainda chega a 120 anos, por exemplo. A tecnologia sempre vai ser aliada a medicina mas acredito que não vá substituir o ser humano. Talvez tenhamos que nos adaptar só.

Esse ano meu pai retirou a próstata, por cirurgia robótica. Eu fiquei deslumbrada. Principalmente em ver como a recuperação e o pós-operatório em geral é infinitamente melhor que a cirurgia convencional. O braço robótico faz movimentos impossíveis para um humano. Mas precisa ser controlado de toda forma, não é mesmo?

Com o avanço tecnológico e robotização talvez o foco seja mais na doença e não no paciente em si. Sendo que o processo de adoecimento varia de pessoa. Daí a importância de se cogitar a possibilidade de ensinar a ser empático ou discutir a importância da empatia sob a ótica dos docentes. Considerando a extrema importância da empatia e humanização.

A relação médico-paciente vai além de perguntas, exames físicos ou prescrições entre os dois intérpretes. É uma mistura de habilidades técnicas e pessoais. A empatia acontece quando há a sensibilização do profissional pelas mudanças sentidas refletidas a todo momento pelo paciente. A grande maioria dos pacientes que acolhemos, principalmente nas emergências, estão aflitos e com medo. Existe um sofrimento que precisa ser entendido, seja ele físico ou psicológico.

Paula Figueiredo - SAMU de Maricá

Foi enfermeira na emergência do Hospital Municipal Conde Modesto Leal (HMCML), durante 4 anos. Formada em medicina há 4 meses, a médica atua na emergência do HMCML e no SAMU. Formada nas duas graduações pela UFRJ - Macaé.

Desafios do atendimento fora do ambiente hospitalar:

O atendimento médico em ambiente pré-hospitalar é diferenciado por irmos de encontro ao desconhecido. Antes de sair para ocorrência temos o nome, algumas queixas do paciente e o endereço, e por mais que a gente tente imaginar a cena, ela nunca é a mesma. Atendemos em via pública, nas residências, em estabelecimentos, sem que seja possível lançar mão de maiores suportes tecnológicos.

O que torna o trabalho em equipe fundamental para condução do tratamento prestado aos pacientes. Sendo assim, condutores, enfermeiros e técnicos de enfermagem que nos acompanham se tornam peças essenciais dessa engrenagem.

Texto e fotos: Ayra Rosa ( Ascom Associação Mahatma Gandhi - Complexo Maricá)

Supervisão e edição - Antonio Jayme - Assessoria de Comunicação - Matriz Catanduva-SP

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